domingo, 30 de setembro de 2018

Isto não é jornalismo

Sou um defensor da imprensa não apenas porque dela sempore fiz parte, mas por achar que ela é imprescindível para nós (cidadãos). Mas a imprensa também comete seus pecados. Natural que ela erre, afinal, consideremos que não é feita por nenhum ser de inteligência ultra avançada; é a imperfeição humana quem a faz. A revista 'Veja' usou de má-fé para colocar uma realidade que não existe em cima de um fato de ordem pessoal e não pública. Estou me referindo ao notíciado processo do passado que colocou Bolsonaro e sua ex-esposa numa disputa judicial. O processo existe. Isso é fato. O que inexiste é a realidade que a 'Veja' tenta adicionar ao fato. A reportagem sobre a briga judicial de Jair Bolsonaro e sua ex-esposa Ana Cristina Siqueira Vale é uma matéria suja e canalha para um veículo de comunicação que deveria zelar pela seriedade de seu nome junto a imprensa brasileira. Não quero aqui promover Jair Bolsonaro. Não tenho nele o modelo de político ideal que gostaria para o Brasil. Nem sei se existirá esse político algum dia. Tem coisas que gosto no discurso de Bolsonaro e outras que abomino. Por tanto, não se trata simplesmente de defender Bolsonaro nessa canalice da 'Veja' pela razão de morrer de amor por ele, mas por não aceitar que uma situação como essa seja chamada de jornalismo. O que a revista quis com isso foi empregar ares de grande escândalo ao que não passa de uma situação corriqueira em ações dessa natureza. Vejamos: a revista do Grupo Abril acusa Bolsonaro, entre outras coisas, de ocultação de patrimônio, roubar um cofre e de ameaçar a ex-esposa. O processo judicial envolvendo os dois, objeto da reportagem da 'Veja' para atacar o candidato à Presidência, é um processo cível e já arquivado. Detalhe: Bolsonaro não foi processado  por roubo ou ocultação de patrimônio, como a publicação tenta sugerir. Nada passou de acusações sem fundamentos da ex-esposa, inclusive a dita ameaça. Ela mesma já declarou que disse tudo aquilo que está no processo (arquivado) de maneira impensada. Era uma briga judicial pela guarda do filho do ex-casal e divisão de bens, é bom deixar claro. Outra coisa, Bolsonaro não era réu no processo, e sim autor. A ré era a ex-esposa. Alguém mais desatento pode pensar que o político do PSL foi denunciado na justiça por roubo ou ocultação de patrimônio. Lembro que Bolsonaro entrou na justiça pela guarda do filho e por aquilo que entendia ser seu por direito. A 'Veja' dá a notícia, mas dirtoce o fato. O que é muito grave e que me causa estranheza é saber que se trata de um processo na vara de família. Como a revista editada pela Editora Abril conseguiu desarquivar esse processo? Um processo na vara de família corre em segredo de justiça. Nesse caso, caberia apenas aos advogados das partes interessadas ter acesso a ele. Se fosse de interesse público, eu entenderia. Mas um processo pela guarda do filho de Bolsonaro e pela divisão de bens por conta de sua separação não tem nada de interesse público. A ocultação de patrimônio que a própria justiça poderia ter revelado e não identificou e já explicada pela acusadora (ex-esposa) suas razões incabíveis para tal acusação, derruba por terra esse falso argumento de interesse público. Quanto ao cofre que Bolsonaro teria roubado, outra acusação, a reportagem não explica uma coisa, mas eu explico. O cofre em questão é do próprio Bolsonaro. Desse modo, Bolsonaro teria roubado ele mesmo. Pode isso? Lamento muito que a revista 'Veja' que já contribuiu em muito para a qualidade do bom jornalismo brasileiro tenha se  prestado a isso. Se a 'Veja' quer se contrapor ao Bolsonaro ou outro político que não se alinha com aquilo que ela pensa para o país, faça isso construindo suas críticas com seriedade e apontanto caminhos, mas não desse jeito. Isto pode ser tudo, menos jornalismo. É a minha opinião.
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